A Glória do G∴A∴D∴U∴ A Maçonaria é intrinsecamente ligada ao simbolismo. Desde suas origens nas gui-ldas de pedreiros medievais, a Ordem tem utilizado uma gama de símbolos, alegorias e rituais para transmitir seus ensinamentos morais e filosóficos. Entre esses elementos, os sinais, toques e palavras desempenham um papel fundamental, servindo não apenas como meios de identificação entre seus membros, mas também como veículos de instrução e reforço dos princípios maçônicos.
Esses métodos de reconhecimento, muitas vezes en-voltos em mistério para o mundo exterior, são, na verdade, ferramentas práticas e peda-gógicas que permitem aos maçons se reconhecerem mutuamente, independentemente de barreiras geográficas ou sociais. No contexto atual, onde a comunicação é instantânea e global, a persistência desses modos de reconhecimento mantém a importância da tradição e da conexão pessoal dentro da Fraternidade. Dentre esses, o toque, ou aperto de mão maçônico, emerge como um dos mais emblemáticos, sendo o foco central deste trabalho.
Todos já ouviram alguém que não faz parte da ordem dizer: “é verdade que vocês têm um aperto de mão secreto?” pois o toque acabou caindo no pensamento popular como uma das características principais da maçonaria, ao menos, para quem não é maçom. Ele não é meramente um gesto de cumprimento, mas um sistema de comunicação e identificação que carrega significados históricos, sociais e filosóficos.
O Toque Maçônico: Função e Significado
O toque maçônico, frequentemente referido como aperto de mão maçônico, é um dos pilares da identidade e prática maçônica, com uma história que remonta às guildas de pedreiros medievais [1]. Sua função primordial, desde os tempos operativos, era a de um meio de reconhecimento secreto e seguro entre os membros.
Essa necessidade de identi-ficação era crucial para os pedreiros que viajavam em busca de trabalho, permitindo-lhes provar sua qualificação e grau de experiência a outros mestres de obras, garantindo assim o salário adequado e a proteção dos segredos do ofício [1] [2] Com a transição para a Maçonaria especulativa, essa função de reconhecimento foi mantida e aprimorada. Atualmente, existem diversos toques maçônicos, variando de acordo com o grau hierárquico do Maçom – Aprendiz, Companheiro e Mestre – e até mesmo entre os diferentes ritos [1] [3].
Esses toques permitem que os irmãos se identifiquem discretamente, sem a necessidade de proferir uma única palavra, o que os torna eficazes em qualquer situação, seja à luz do dia ou na escuridão [4]. A natureza sutil desses cumprimentos é fundamental para a discrição que permeia a Ordem, permitindo que maçons se reconheçam em ambientes sociais sem chamar a atenção de não-maçons [1]. Além de sua função prática de reconhecimento, o toque maçônico carrega um simbolismo de fraternidade e união. Ele representa o laço inquebrável entre os maçons, um compromisso mútuo de amizade e confiança [5].
Os ideais iluministas; Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou os do lema da maçonaria; Amor fraternal, Amparo e verdade, absorvidos pela Maçonaria especulativa, são intrinsecamente refletidos nesse aspecto do
toque, que transcende a mera identificação para se tornar um gesto de compromisso com esses valores [6] Toques maçônico também servem como uma ferramenta pedagógica, associado a lições morais específicas. A forma e a execução do toque são carregadas de simbolismo, podendo funcionar como um “gatilho” mnemônico que lembra o Maçom de algum ensinamento ou símbolo [3].
No REAA e no Adoniramita, por exemplo, o toque é feito junto a bateria do grau, diferente de outros ritos como o de York ou Ritual de emulação que possuem um toque único, esses de ritos Franceses nos lembram o número do aprendiz, logo nos lembra tudo que este número representa dentro do simbolismo. Essa abordagem alegórica e simbólica é central para o método de ensino maçônico, visando o aperfeiçoamento moral do indivíduo. O toque, portanto, pode servir como um lembrete dos princípios que o Maçom se comprometeu a seguir.
Em uma interpretação mais esotérica, o toque pode ser visto por alguns como um canal para a transmissão de uma “luz” ou energia iniciática, conectando o indivíduo a uma egrégora e a uma linhagem antiga. Um dos exemplos mais antigos conhecidos sobre toques ou apertos de mão secretos pode ser encontrado no Mitraísmo. Esta religião de mistério romana era popular no exército romano imperial durante os primeiros séculos da era comum. A religião incluía um complexo sistema de sete graus de iniciação e refeições rituais comunitárias.
Membros do Mitraísmo eram iniciados usando um aperto de mão e se referiam a si mesmos como syndexioi ou aqueles “unidos pelo aperto de mão.” [1] Outras sociedades, grupos, Ordens iniciáticas, entidades religiosas etc. Utilizam toques como formas de reconhecimento ou de aprendizado simbólico. Até mesmo fraternidades em faculdades possuem toques secretos entre seus membros que servem para reconhecimento e possuem significados para aquele grupo.
Abordagem Filosófica e conclusão
Como já citado, o maçom é reconhecido por sinais, palavras e, o assunto aqui abordado, toques. Uma interpretação mais filosófica e comum entre alguns irmãos, que possuem origens nos livros de José Catellani, é a de que o maçom é reconhecido por sinais, sendo a postura que o Maçom tem em sociedade, sempre correta, justa, caridosa e fraterna. As palavras, pois o Maçom sempre pensa três vezes antes de falar, e de sua boca só saem palavras de bondade, nunca de arrogância ou para ferir um semelhante.
E, por fim, o toque, onde a sociedade reconhece o maçom pelo seu companheirismo, fraternidade, sempre estendendo a mão a quem precisa ou dando um abraço carinhoso. O toque é um elo que fortalece a fraternidade e a união, Crianças, adolescentes ou estudantes de faculdade criam toques próprios, que se tornam identidade daquela união fraternal ou de um grupo de amigos. Um lembrete constante dos princípios morais e filo-sóficos da Ordem.
Embora suas formas possam apresentar variações entre os diversos ritos, a essência e a universalidade de seu uso permanecem inalteradas, consolidando o toque como uma característica intrínseca da identidade maçônica e um pilar fundamental de sua prática ritualística e filosófica.
Bibliografia [1] Supreme Council, AASR, NMJ, USA, “History of the Masonic Handshake, ” [Online]. Available: https://scottishritenmj.org/blog/masonic-handshake. [2] Stevenson, The Origens of Freemasonry. [3] H. W. Coil, Coil's Masonic Encyclopedia. [4] J. F . Henry Carr, “Seis Séculos de Ritual Maçônico, ” [Online]. Available: https://bibliot3ca.com/seis-seculos-de-ritual-maconico/. [Acesso em 08 08 2025]. [5] J. Boucher, A Simbólica Maçônica. [6] A. G. Mackey, An Encyclopaedia of Freemasonry.


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